
4 de setembro, 2020
Dia da Amazônia: sistema agroflorestal é alternativa para manter floresta em pé
A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, tem alcançado índices de desmatamento cada vez mais alarmantes com o passar dos anos. Segundo levantamento do MapBiomas, a floresta perdeu 2.110 hectares de mata por dia só em 2019 – uma área equivalente a quase 2.000 campos de futebol com medidas da Fifa.
Mas o uso sustentável desse patrimônio ecológico – fundamental por manter o equilíbrio ambiental e climático do planeta, e a conservação dos recursos hídricos – vem ganhando adeptos ao redor do mundo. Neste dia 5 de setembro, inclusive, celebra-se o Dia da Amazônia.
Atualmente, uma das alternativas – senão a principal – adotadas por aqueles que buscam novas formas sustentáveis de produzir plantas e alimentos, tanto para o consumo próprio quanto para a comercialização, é o Sistema de Agrofloresta (SAF), também conhecido apenas como agrofloresta. Um dos maiores objetivos dessa cultura é incentivar o aproveitamento dos recursos naturais das florestas, como o solo, o ar e a água.
Segundo Tatiana Motta, diretora de mobilização do Corredor Ecológico do Vale do Paraíba, o sistema agroflorestal traz inúmeros benefícios, tanto para a natureza quanto para todos os seres vivos. “A agrofloresta vem possibilitando uma melhor distribuição da mão de obra, bem como redução dos custos de manutenção da floresta, maior diversificação e qualidade alimentar, e uso racional da sombra para animais e humanos”, explica.

Considera-se, numa agrofloresta, a combinação de espécies arbóreas e lenhosas, como o eucalipto, mogno, ipê e guanandi, com espécies agronômicas, como banana, mandioca, feijão, café e batata-doce, além de frutíferas, tal como pitanga, jussara e cambuci, entre outras.
Tatiana conta que, dependendo de cada estágio do sistema e da época do ano, ainda é possível introduzir hortaliças como alface e agrião. “O importante é promover uma relação de cobertura e abrigo entre as espécies, na qual cada uma tem sua função no sistema, colaborando para a fertilização do solo, penetração da água da chuva e troca de nutrientes e alimentos entre elas”, explica.
Benefícios sociais e ecológicos da agrofloresta
O Sistema Agroflorestal tem provado que é possível atrelar o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil a uma exploração sustentável, uma vez que essa cultura promove melhorias na qualidade da água e do solo, preserva a biodiversidade e ainda contribui com o processo de retirada de gás carbônico da atmosfera, reduzindo os efeitos da crise climática.
A expansão dos modelos agroflorestais tem ocorrido em diferentes regiões do Brasil. Essa amplificação tem possibilitado um intercâmbio entre conhecimentos advindos de pesquisas e os conhecimentos seculares de povos nativos, sejam eles ribeirinhos, indígenas ou camponeses assentados.
Tatiana explica que o sistema agroflorestal melhora o entendimento da população em geral sobre a origem dos alimentos e ensina o homem a respeitar a natureza, mantendo o meio ambiente equilibrado.
“Essa atividade alia a conservação da floresta (solo, água, biodiversidade) com a segurança alimentar (produção de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos). Ela também valoriza a cultura tradicional e a mão de obra familiar do campo, o que permite a manutenção das famílias e seus sucessores no meio rural, bem como aumenta a renda dos produtores familiares de forma justa.”

Dia da Amazônia
O Dia da Amazônia promove a conscientização das pessoas sobre a importância do bioma, cuja biodiversidade está conectada com a vida de todo o planeta.
A Amazônia tem mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, além de 25 mil quilômetros de rios navegáveis – numa área que abrange o Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Só no Brasil, a floresta ocupa cerca de 60% do território nacional.
Se a Amazônia fosse um país, ela seria o 6º maior do mundo em extensão territorial.