21 de agosto, 2019

Guri na Roça, um projeto que constrói o futuro de jovens carentes com aulas extracurriculares (e muitos abraços!)

 

Desde o dia 19, no mês 9, do ano 1999, as tardes da técnica agrícola florestal Luciana Ferreira se iniciam com a energia de centenas de abraços apertados. As responsáveis pelos calorosos cumprimentos são crianças e jovens atendidos pelo projeto Guri na Roça, que ela mesma fundou.

Os abraços fazem parte da filosofia do cuidado, que permeia todas as ações do programa. E olha que não são poucas as atividades realizadas pelos 130 frequentadores, que têm entre 8 e 16 anos. O Guri na Roça oferece aulas de informática, inglês, horta, trabalhos manuais, laboratório de poesia, projeto literário, ginástica e arte-terapia.

Os jovens atendidos moram no bairro Veraneio Ijal, na zona rural de Jacareí. As atividades do projeto são realizadas duas vezes por semana, no contraturno do horário escolar. Uma empresa de ônibus, parceira do projeto, faz o transporte gratuitamente do bairro à sede do Guri na Roça, que fica no Residencial Parque dos Sinos.

Crianças e jovens participam de aulas de inglês, horta, trabalhos manuais, laboratório de poesia, projeto literário, ginástica e arte-terapia

“Todas as crianças são recebidas com um abraço. Depois, há uma oração ecumênica que antecede o almoço. Aqui, tentamos dar a nossa parcela de contribuição para a formação profissional e pessoal dos participantes. No período em que eles estão no projeto, a gente pede para que os celulares sejam desligados, que a atenção esteja toda voltada para o contato humano. Não que a tecnologia seja nossa inimiga, mas incentivamos o exercício da paciência e da concentração durante as atividades”, conta Luciana.

História do Guri na Roça

No início do projeto, a ideia era trabalhar somente com educação ambiental, oferecendo oportunidades no plantio de hortas orgânicas, mas Luciana foi surpreendida.

“Na primeira aula, os alunos se ’empanturraram’ tanto na hora do lanche, que alguns até passaram mal. Foi quando eu entendi que, para muitos deles, aquela era a última refeição do dia. Esse choque de realidade fez a gente repensar parte do projeto. Não dá para falar em horta orgânica com meninos e meninas que às vezes não têm nem mesmo saneamento básico”, comenta.

Mesmo assim, as relações com o meio ambiente continuaram a fazer parte da filosofia do Guri na Roça. Além do próprio nome, ficou também uma conexão com a ideia de colheita e plantio, que vai muito além da horta que o projeto mantém em sua sede. Trata-se de uma filosofia para a vida.

“Dizemos que nosso embasamento filosófico vem do chão. Quando perguntamos ao jovem o que ele quer de sua vida, relacionamos isso ao tipo de plantio que ele terá de realizar. Ser um professor demanda um plantio diferente do plantio para ser um motorista de ônibus. É uma relação inversa ao imediatismo dos nossos tempos”, diz. 

A Ruston Alimentos também ajuda a regar essas sementes. A empresa garante, mensalmente, o arroz e o feijão que ajudam a alimentam os alunos para ajudá-los a encarar as aulas.