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30 de julho, 2020

Reflexões da quarentena: será que devo repensar minha carreira e buscar o emprego dos sonhos?

Segunda-feira, o relógio desperta e o ânimo para encarar mais um dia de trabalho simplesmente não aparece. A vontade é acionar pela décima vez a opção “soneca”, mas você já está no limite do horário. Pois é, poucas coisas podem ser mais desanimadoras do que estar em um emprego que não oferece mais prazer. E se essa cena se repete não só às segundas, mas todos os dias da semana, pode ter certeza: algo está errado na sua carreira.

Segundo um levantamento do Instituto Locomotiva, aproximadamente 56% dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil se dizem insatisfeitos com seu emprego. Fatores como o salário, a baixa qualidade de vida, a falta de reconhecimento e a estagnação profissional são grandes motivadores desse processo. 

Na atual crise econômica causada pela pandemia de coronavírus, a opção de deixar o emprego é quase impensável. Mas como lidar com uma rotina que, além de não trazer felicidade, pode ser a causa de grandes problemas como o estresse, gastrite, dores de cabeça e depressão?

De acordo com a psicóloga e consultora de carreira Renata Bueno, a resposta está em começar a caminhar, mesmo que a passos lentos, rumo ao emprego dos sonhos. Sem deixar a carreira que oferece o sustento por ora, a profissional sugere uma atividade paralela, que envolve preparação para a mudança.

“Eu acredito muito que as pessoas podem tentar desenvolver uma carreira paralela. Todo passo, por menor que seja, dado rumo àquela atividade profissional que dá mais prazer traz um ânimo maior para encarar o dia a dia. Procurar cursos, contatos com profissionais e vagas oferecidas na área é um bom começo”, explica.

De acordo com a especialista, são três os principais fatores que fazem as pessoas entrarem e permanecerem em empregos que não dão prazer: a necessidade, a imposição da família ou a falta de rumo profissional. A boa notícia nos três casos é que, diferente do que acontecia algumas décadas atrás, hoje em dia a área de atuação está longe de ser uma sentença para a vida.

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A psicóloga e consultora de carreira Renata Bueno. Foto: Divulgação

“Dá para dizer que antigamente era a empresa que condicionava a carreira de um profissional e, nos dias atuais, este caminho é escolhido pelo próprio profissional. Essa nova relação oferece mais liberdade para que as pessoas façam escolhas que seriam muito mais difíceis em outros tempos”, diz.

A carreira na pós-pandemia

O cenário pós-pandemia de coronavírus trará novos desafios na busca daquele emprego dos sonhos. O principal deles já é uma realidade para muitos trabalhadores: a adesão ao home office.

A mudança tem vantagens e desvantagens. Para quem perde muito tempo no trânsito, por exemplo, trabalhar de casa torna a rotina mais prazerosa e menos cansativa. Já para quem não tem uma boa estrutura para o trabalho dentro de casa, a situação pode ser uma causadora de novos fatores de estresse.

“É uma questão que precisa ser analisada com cuidado. O fato é que o mundo não será o mesmo a partir dessa experiência. A notícia boa é que pessoas que não gostam de morar na capital, por exemplo, poderão buscar uma qualidade de vida melhor em cidades menores ou bairros mais afastados”, afirma.

Entretanto, uma coisa não muda para quem está cansado de um trabalho que não o motiva: a necessidade de tentar ressignificar o que faz, buscar um sentido para aquilo e nunca se esquecer que passamos praticamente metade do nosso tempo trabalhando.

“Até por uma questão de saúde é necessário que essas pessoas se movam para uma condição melhor. Mas é importante frisar que até mesmo o trabalho dos sonhos vai demandar tempo, esforço e renúncias em sua rotina.”